Mooncorpse - In The Mouth of Madness [2018, Independente]

By Guz69 - novembro 27, 2019


No início de Outubro estive presente na primeira edição da Horror Expo no Brasil, realizada no parque do Anhembi em São Paulo, e para além dos shows que assisti por lá, os quais divulguei no último update de nossa 'Agenda Viva', pude também encontrar diversos músicos e personalidades do cenário underground nacional. Um desses encontros foi com Vitor Muñoz, baixista do Spectrus, grupo que recentemente divulgamos em nosso canal no youtube através de entrevista e vídeo reação. O multi-instrumentista estava acompanhado de Thiago Gasulla, o mentor do projeto acústico de dark folk Mooncorpse, e cujo debut In The Mouth of Madness havia sido produzido por Vitor Muñoz. Munido apenas de algumas informações gerais, e em posse de um exemplar em digipack com uma bela arte assinada por Rafael Tavares, decidi dedicar algum tempo de audição a este trabalho para uma futura resenha. Confesso que quase desisti de publicar este texto quando descobri que o álbum em questão é do ano passado, e que o projeto já lançou um novo EP Ancient Doom, e também King of the Damned, seu segundo full length, ambos em 2019. Não curto resenhar álbuns em retrospectiva, quando o artista já lançou novos trabalhos, mesmo assim decidi ir adiante visto que se trata de um debut produzido de forma independente, e num gênero pouco comum de ser ver por "terra brasilis". A tonalidade do álbum é obscura, com letras inspiradas no universo de fantasia e horror, e que versam sobre a morte. O ouvinte que avaliar somente pela capa e títulos das músicas poderá achar que se trata de uma banda de black metal, o que está longe de ser o caso. Os ritmos são em geral cadenciados, com as guitarras acústicas e a voz grave de Gasulla em lugar de destaque na mixagem. Em alguns momentos seu registro me lembrou o do finado Peter Steele, e em outros até mesmo Nick Cave. Nos sussurros e nas partes graves ele até vai bem, mas quando se empolga 'em cantar' transparece uma certa falta de experiência.

Vitor Muñoz e Thiago Gasulla
Alguns temas contam com instrumentais, e até alguma distorção de guitarra em segundo plano. Pontuam-se também efeitos especiais em intros, corais, e até algumas orquestrações. Os corais poderiam ter mais brilho e contraste, talvez com vozes femininas, pois o resultado de uma voz grave masculina acompanhada de corais graves masculinos é insípido e redundante. No entanto os pontos mais baixos do álbum são The Haunting e Chant of Wolves. O primeiro é literalmente um 'espanto', começa bem na parte acústica mas depois as melodias começam a chocar com teclados fora de tempo, num resultado pra lá de constrangedor. Já o tema final é na verdade um cover do Infurius (quem?), e sofre do mesmo mal, ou seja, com execução "atravessada", e que poderia ter sido regravada para justificar sua inclusão como bônus.


Bom, quer dizer que não há nada que se aproveite neste debut? Não! Há algumas músicas boas como Dance With The Dead e My Witch, que poderiam ter ficado ótimas com arranjos mais interessantes. Se é pra ir na onda folk, porque não utilizar instrumentos de cordas diferenciados? Se a tonalidade é depressiva, porquê não usar um piano? Não foi por acaso que citei Nick Cave, afinal o álbum Murder Ballads é um ótimo exemplo, rico, belo, e ao mesmo tempo perturbador! O tema Mouth of Madness é um dos que poderia ter ficado melhor com um instrumental mais pesado. Misanthropy também não é mau, e me lembrou algum do material mais soft do Type O Negative. No geral In The Mouth of Madness é um trabalho apenas mediano, porém mostra potencial, principalmente por se tratar de um gênero pouco explorado no Brasil.

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