Devachan - Regeneração [2018, Independente]

By Guz69 - novembro 14, 2019


Embora seja um nome novo para mim, o DEVACHAN tem uma curiosa origem que remonta há mais de 35 anos. O grupo surgiu em 2010, numa pequena cidade do interior de São Paulo, através dos irmãos Gabriel (voz) e Leandro (guitarra), que decidiram resgatar as letras escritas pelo Pai no final da década de oitenta, e tê-lo também como baixista na formação. Sim, estamos diante de mais uma banda que trabalha e compõe em família, tal como o Tenebrario (um dos destaques de nosso Bastardos do Brasil em 2018), cujo vocalista Alexdog conta com um filho na guitarra e outro na bateria. Em seu currículo o Devachan conta com um EP homônimo de 2011, o EP Andarilho de 2013, e finalmente seu primeiro longa duração Regeneração do ano passado, álbum que este ano ganhou novo empurrão com a assessoria da Som do Darma de Sorocaba. O álbum foi financiado pela Lei de Incentivo a Cultura (LINC) de Boituva/SP e inclui um total de 8 faixas inéditas, mais intro e outro. Para além do trio Dias, a formação fica completa com o tecladista Michael Santos e o baterista Jeferson Oliveira, tendo este último entrado após as gravações do debut.

Devachan
Após algumas audições do novo trabalho, é possível concluir que o grupo pratica um heavy metal tradicional bastante competente a nível técnico, e que invariavelmente tende para passagens mais trabalhadas e progressivas. A inspiração dos primórdios do metal nacional é patente, mas não tão óbvia como se poderia imaginar. Sim, apesar das letras cantadas em Português, a sonoridade do grupo não é datada, e apresenta influências de diferentes gerações que confluem para uma identidade própria e original. A faixa título é um dos pontos altos do álbum, e deixa claro um certo protagonismo dos teclados, com 'camas' privilegiadas na mix, e solos pontuados com alguma frequência. A faixa Regeneração recupera também um pouco de nossa cultura, através de passagens/solos que remetem à música mais tradicional do nosso nordeste, pontuada inclusive com o famoso 'triângulo' percussivo. O álbum continua em alto nível em músicas como Jogo da Vida e Um Sonho?, até surgir a balada Loucuras, Guerras e Poesias que não só revela um lado mais piegas da banda, como também quebra o padrão construído até então. Felizmente o tema seguinte recoloca o trem prog metal de volta aos trilhos, com improvisos jazzisticos pelo meio, e servindo também para explicar o conceito e a pronúncia correta da palavra Devachan (existência universal constituída apenas de pensamento, ou seja, um mundo ou plano mental). Em Olho por Olho, o grupo retoma seu som mais pesado, embora sem o mesmo brilho da trinca inicial. O mesmo se pode dizer de Eis a Questão, que conclui a temática do álbum num tom positivo. Antes dela porém há Caminho do Medo, mais uma balada pouco inspirada, e que novamente prejudica a fluidez do álbum. Nada contra esse tipo de abordagem musical, mais sentimental, porém são para mim os pontos mais baixos de todo o álbum, onde o grupo não conseguiu fugir do lugar comum, e sequer tentou imprimir a identidade musical construída nas restantes canções. Mesmo assim, acho que o saldo geral é positivo, e constato potencial musical para melhoras e evolução nos próximos trabalhos.

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