Sepultura - Machine Messiah

By Gustavo Scafuro - maio 16, 2018


Décimo quarto trabalho de estúdio do Sepultura, banda sinônimo de resiliência e perseverança na música extrema nacional. Com mais de 30 anos de estrada, hoje ostentam o status da banda brasileira de heavy metal mais bem sucedida no globo terrestre. Uma trajetória pautada por grandes desafios, rupturas, polêmicas extra musicais, turnês mundiais, milhões de discos vendidos, mas acima de tudo,  por uma musicalidade ímpar, aliada a um ímpeto descomunal da mente criativa que assumiu para si a responsabilidade de manter o grupo relevante a despeito de qualquer adversidade. Falo é claro de Andreas Kisser, músico extraordinário e alma do Sepultura desde que assumiu o posto de guitarrista em 1987. O passado recente da banda tem sido pautado por discos conceituais ("Dante XXI" baseado na Divina Comédia de Dante Alighieri, e "A-Lex" inspirado em Clockwork Orange de Anthony Burgess), obras que transpiram a necessidade de desbravar novos territórios, de ir além das fórmulas exploradas no passado, e em última instância, de propor um olhar artístico diferenciado e impactante, sem descurar de sua marca registrada em termos de agressividade e potência musical. Os dois últimos trabalhos, "Kairos" e "The Mediator Between Head and Hands Must Be the Heart", foram escritos com inspiração temática, mas não eram álbuns conceituais per si. Então como Machine Messiah temos o regresso de uma temática central, explicitando a visão do grupo sobre um tema bem pertinente e atual, no caso, o processo de robotização das sociedades modernas.


SEPULTURA
A produção de sueco Jens Bogren também é digna de nota, ele que assina os últimos trabalhos do Angra (entre outras dezenas de artistas do gênero), conseguiu imprimir uma vitalidade impressionante neste último opus do Sepultura. Musicalmente o álbum começa da melhor forma possível com a mamutesca faixa título, atmosférica e sombria, apresentando a primeira grande surpresa do álbum: os vocais limpos de Derrick Green. Outros temas em destaque com o recurso desta abordagem mais limpa são "Vandals Nest" (porrada com vocais rasgados mas com refrão limpo e impactante), e ainda a extraordinária "Cyber God", que tal com a faixa título, vai aos poucos crescendo de intensidade, mostrando a atual versatilidade vocal de Derrick, e colocando ponto final em mais um excelente álbum. Quanto ao instrumental, não há muito o que dizer, pois está devastador! Eloy Casagrande se consolida na bateria, com técnica apurada e execução imaculada, e faz-nos esquecer completamente seus ótimos antecessores. Paulo Xisto segue segurando bem a onda da banda, cada vez mais trabalhada e experimental, mas quem se destaca mesmo é Andreas, que riff atrás de riff, solo após solo (alguns com influência de música oriental), dá uma aula de thrash metal e diversidade musical. Ahh, ainda tem o resgate da cultura tupiniquim em temas como "Phantom Self" e a instrumental "Iceberg Dances". Isso sem falar no uso de teclado em alguns temas, sendo o exemplo mais flagrante "Sworm Oath", onde a banda consegue soar grandiosa, sem perder nada em termos de personalidade. Enfim, um grande álbum, provavelmente seu melhor trabalho na última década, e que não por acaso figurou no TOP30 internacional do MOM. Agora com a cópia física em mãos (graças a uma promoção da loja FNAC), pude finalmente apreciar a obra na totalidade, e ratificar minhas impressões iniciais de quando o álbum foi lançado em Janeiro do ano passado. Imprescindível!

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